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ARTIGO

Por que todo rebranding agora parece o mesmo logo (e o que a McLaren fez de diferente)?

4 de outubro de 2026 /

Faz um teste rápido comigo. Pensa em cinco marcas que mudaram de identidade nos últimos três anos. Agora tenta desenhar o logo novo de cada uma de cabeça.

Difícil, né? Provável que saia tudo parecido: letras sem serifa, finas ou arredondadas, muito espaço em branco e nenhum símbolo. Parece etiqueta de roupa cara. Parece app de banco digital. Parece tudo, menos a marca.

No dia 22 de setembro, a McLaren entrou nessa conversa. A montadora (e equipe de F1) apresentou um sistema visual novo, unificando a divisão de carros de rua e a de corridas. O site Creative Bloq resumiu a reação de muita gente já no título: o logo novo “parece de marca de moda de luxo”. E lá fora já tem gente chamando esse fenômeno de “blandardisation”, algo como a padronização do sem graça.

Só que, olhando com calma, o caso da McLaren é mais interessante do que parece. E serve de lição pra quem está pensando em mexer na própria marca, seja uma montadora britânica ou a loja de móveis da esquina.

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  • O que a McLaren mudou (e o que ela não teve coragem de jogar fora).
  • A Jaguar mostrou o outro lado da moeda.
  • Simplificar não é o problema. Apagar é.
  • E o que isso tem a ver com a sua marca?
  • No fim, logo bom é logo que tem memória

O que a McLaren mudou (e o que ela não teve coragem de jogar fora).

O wordmark novo usa uma tipografia sem serifa, limpa, e uma fonte própria chamada McLaren Sans. Até aí, nada que fuja do manual do minimalismo.

O detalhe está num tracinho embaixo da letra “c”. Ele vem de uma placa dos anos 1920, do posto de gasolina da família de Bruce McLaren em Auckland, na Nova Zelândia. Foi ali, na garagem de Remuera, que o fundador montou o primeiro carro de corrida. Um tracinho de nada carregando um século de história.

E o mais importante: a McLaren manteve o que os fãs reconhecem de longe. O Speedmark (aquele símbolo que lembra um rastro de velocidade), o laranja papaya e o Speedy Kiwi, o mascote. O texto do Grande Prêmio definiu bem: é “restauração, não apagamento”.

O mesmo artigo faz uma crítica que eu assino embaixo: “o minimalismo virou a linguagem mais segura do branding moderno”. Segura pra quem aprova a apresentação na sala de reunião, claro. Nem sempre pra marca.

A Jaguar mostrou o outro lado da moeda.

Pra entender por que a McLaren escapou do pior, basta lembrar da Jaguar. No fim de 2024, a marca tirou de cena o felino saltando que a acompanhava há décadas e adotou letras minúsculas e arredondadas, dentro de um conceito que ela chamou de “modernismo exuberante”.

A internet não perdoou. Segundo a CNN Brasil, o vídeo de lançamento no Facebook juntou cerca de 10 mil reações de risada contra 1.300 de aprovação. Pouco mais de um ano depois, no início de dezembro de 2025, o diretor criativo Gerry McGovern, que liderou a mudança e passou 21 anos na empresa, deixou a Jaguar Land Rover, de acordo com a Dezeen.

Não estou dizendo que a culpa foi só do logo. A Jaguar estava num momento difícil de vendas e de transição para os elétricos. Mas o caso virou exemplo de manual: quando você joga fora o que as pessoas reconhecem, você não “moderniza”. Você começa do zero, e paga caro por isso.

Simplificar não é o problema. Apagar é.

Que fique claro: não sou contra simplificar. Tem muito logo por aí que precisa de uma boa faxina. Um símbolo cheio de degradê, sombra e detalhe minúsculo não funciona num ícone de app de 40 pixels, num bordado de uniforme ou num adesivo de moto.

A Amazon fez isso direito em 2025. Com o estúdio Koto, ela revisou mais de 50 logos da casa, criou duas fontes próprias (Amazon Logo Sans e Ember Modern, que suporta 366 idiomas) e organizou as cores. Segundo a Fast Company, o motivo era bem prático: cada produto novo ganhava um logo diferente e a marca tinha virado uma colcha de retalhos. E o sorriso continuou lá. Muita gente nem percebeu a mudança, o que, nesse caso, é elogio.

Agora compara com a prefeitura de Galway, na Irlanda, que em setembro trocou o “G” que os moradores conheciam por uma identidade nova. A reação local foi forte, e o custo de cerca de 28 mil euros virou notícia. Como resumiu um artigo da Inkbot Design: os moradores não viam aquilo como o logo da prefeitura, viam como a marca da cidade deles.

A linha que separa um caso do outro é simples de enunciar e difícil de respeitar: simplificar tira o excesso, apagar tira a memória.

E o que isso tem a ver com a sua marca?

Tudo. Aqui na Art Publicidade, em Araçatuba, eu escuto toda semana algum cliente pedindo um logo “mais clean”, “mais moderno”, “tipo o da marca X”. Eu entendo o desejo. Mas a pergunta que eu sempre devolvo é: o que as pessoas já reconhecem em você?

Pode ser uma cor. Pode ser um símbolo meio torto que está na fachada há 30 anos. Pode ser até o jeito como o nome é escrito. Isso vale ouro e não se compra em banco de imagens.

Antes de redesenhar, eu sugiro três perguntas:

  1. O que os clientes lembram sem esforço (cor, forma, som do nome)? Isso fica.
  2. Onde o logo atual falha na prática (tela pequena, bordado, fachada à noite)? Isso se corrige.
  3. Se eu tampar o nome, o novo logo ainda é meu ou poderia ser de qualquer um? Se poderia ser de qualquer um, volta pra prancheta.

O tracinho da McLaren é uma resposta pra terceira pergunta. Pequeno, quase invisível, mas impossível de copiar sem copiar a história junto.

No fim, logo bom é logo que tem memória

O minimalismo não é o vilão. O vilão é a preguiça de achar que tirar tudo é o mesmo que fazer escolhas. Uma marca não fica moderna porque ficou parecida com as outras. Fica moderna quando continua sendo ela mesma em qualquer tela, tamanho ou década.

E aí, me conta: qual rebranding recente você achou que acertou em cheio e qual você desfaria amanhã se pudesse?

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By Fabio Fast
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Sobre:

 

Sou Fábio, publicitário e designer, criador do FabioFast.com. Aqui transformo criatividade, cultura pop, tecnologia e comportamento em análises, ideias e conversas que ajudam a enxergar o mundo com outros olhos.

Entre identidades visuais, roteiros, fotografia e reflexões sobre nossa era digital, encontrei meu espaço para compartilhar o que realmente me move: pensar, criar e conectar. Acredito que boas histórias mudam percepções — e que a publicidade, quando bem feita, também.

Se você gosta de conteúdo inteligente, criativo e cheio de personalidade, está no lugar certo. O FabioFast.com é meu laboratório de ideias… e agora também é seu.

 

 

 

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